Política | Publicado em 03/07/2025
Um protesto realizado nesta quinta-feira (3) por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) e da Frente Povo Sem Medo, ambos ligados ao deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP), gerou repercussão intensa no meio político. Os manifestantes ocuparam o saguão da sede do banco Itaú, na Avenida Faria Lima, em São Paulo, principal centro financeiro do país. O ato cobrou a aprovação da reforma tributária e a taxação dos super-ricos. Nas redes sociais, Boulos apoiou a mobilização. “O recado do povo é claro: o Brasil precisa de justiça tributária”, escreveu o deputado, que no momento participava de uma audiência pública na Alesp sobre direitos de entregadores de aplicativo. A manifestação provocou forte reação entre parlamentares de oposição ao governo Lula. Muitos compararam o episódio com os atos de 8 de Janeiro de 2023, em Brasília. O deputado Eduardo Pazuello (PL-RJ) classificou o protesto como “balbúrdia” e afirmou que a esquerda “não produz nem gera riqueza”. Fábio Wajngarten, ex-advogado de Jair Bolsonaro, questionou se os manifestantes receberão penas semelhantes às aplicadas aos envolvidos na depredação das sedes dos Três Poderes. “Serão condenados a 10, 15, 18 anos de cadeia?”, escreveu, cobrando prisão imediata dos envolvidos. Outros nomes da oposição, como o deputado Gustavo Gayer (PL-GO), também criticaram duramente o ato, chamando-o de “terrorismo político” e lembrando o apoio que parte do mercado financeiro deu à candidatura de Lula em 2022. O senador Rogério Marinho (PL-RN) acusou o governo de promover uma narrativa de “nós contra eles”, dizendo que a esquerda tenta dividir o país entre ricos e pobres. Já entre os aliados do governo, a reação foi mais discreta. Deputados como Pastor Henrique Vieira e Chico Alencar, ambos do PSOL-RJ, compartilharam vídeos e imagens da manifestação, reforçando o discurso contra as desigualdades. “O povo trabalhador não aguenta mais um sistema que protege bilionários e pesa no bolso da maioria”, escreveu Vieira. O protesto ocorre em um momento de tensão entre o Executivo e o Congresso. Na semana passada, parlamentares derrubaram um decreto presidencial que aumentava o IOF, medida que fazia parte do esforço do governo para elevar a arrecadação e cumprir as metas do novo arcabouço fiscal. O Planalto recorreu ao STF, por meio da AGU, para tentar reverter a decisão.
Fonte: Reuters / Investing.com | Data: 03 de julho de 2025.