Por Que o Real Perdeu Tanta Força Frente ao Dólar? E o Que Pode Ser Feito Para Reverter Isso?







O real sofreu uma forte desvalorização frente ao dólar nos últimos anos devido a uma combinação de fatores internos e externos que impactaram a confiança dos investidores e o desempenho da economia brasileira. Internamente, a instabilidade política causada por crises frequentes, mudanças no governo e incertezas nas decisões econômicas gerou um ambiente de insegurança. Isso afastou investidores estrangeiros e nacionais, que passaram a buscar moedas consideradas mais estáveis, como o dólar, reduzindo assim a demanda pelo real. Além disso, o Brasil enfrenta uma inflação persistente, que corrói o poder de compra da população e afeta diretamente o valor da moeda nacional. A alta taxa de juros brasileira, embora teoricamente atraia capital, também reflete as dificuldades fiscais do país, que convive com uma dívida pública elevada — próxima a 80% do PIB — e dúvidas sobre a capacidade do governo de manter o equilíbrio das contas públicas, elevando o risco-país e desvalorizando o real. Outro ponto importante é a forte dependência da economia brasileira em relação às commodities, como soja, minério de ferro e petróleo. A oscilação dos preços desses produtos no mercado internacional provoca impactos diretos na receita do país, afetando o câmbio. Em períodos de queda dos preços, o real tende a se enfraquecer. Paralelamente, o cenário global tem exercido grande influência. Crises internacionais, tensões comerciais e a política monetária dos Estados Unidos, que tem aumentado suas taxas de juros, valorizam o dólar como um ativo seguro, pressionando moedas emergentes, incluindo o real. A falta de investimentos consistentes em inovação, industrialização e a burocracia ainda presente no Brasil dificultam a diversificação econômica e a atração de investimentos de longo prazo, ampliando a vulnerabilidade do país frente às oscilações cambiais. Para reverter essa situação, é fundamental que o Brasil implemente reformas estruturais que tragam mais transparência, eficiência e responsabilidade fiscal, como as reformas tributária e administrativa. Manter o controle da inflação e garantir uma política monetária previsível são passos essenciais para fortalecer o real. Além disso, a estabilidade política e institucional é decisiva para recuperar a confiança dos investidores, pois países com governança sólida atraem mais capital estrangeiro. Também é importante diversificar a economia, investindo em setores que não dependam exclusivamente das commodities, como tecnologia, indústria e serviços inovadores. Reduzir a burocracia e melhorar o ambiente de negócios contribuirão para aumentar a competitividade e fomentar o crescimento sustentável. Com essas medidas, o real pode recuperar sua valorização, trazendo benefícios como a redução do custo de importação, controle da inflação e maior segurança econômica para a população. Contudo, é importante que a valorização da moeda seja equilibrada para não prejudicar a competitividade das exportações brasileiras no mercado internacional. Em resumo, a desvalorização do real frente ao dólar é resultado de múltiplos fatores, mas com planejamento, reformas e estabilidade, é possível restabelecer a confiança na moeda brasileira e criar bases sólidas para o crescimento econômico sustentável.


Fonte: Geopolítica Anatomy – 29 de junho de 2025.