Ataques dos EUA não eliminam programa nuclear iraniano, apontam análises







Apesar da intensa ofensiva aérea dos Estados Unidos contra alvos nucleares iranianos, uma análise preliminar da inteligência americana indica que os danos causados foram limitados, atrasando o programa atômico do Irã por apenas alguns meses. A revelação surge enquanto um cessar-fogo temporário entre Teerã e Tel Aviv é estabelecido, mediado pelo presidente Donald Trump. Três fontes com conhecimento direto da avaliação, duas delas ligadas à Agência de Inteligência de Defesa dos EUA, revelaram à Reuters que os ataques não destruíram os estoques de urânio enriquecido do Irã. Uma das fontes afirmou que o programa nuclear iraniano sofreu apenas um atraso estimado de um a dois meses, contrariando a retórica da Casa Branca. O presidente Trump havia declarado que os bombardeios destruíram por completo as capacidades nucleares iranianas, enquanto sua própria equipe recuou, classificando os danos como uma "degradação" parcial das instalações. A Casa Branca rejeitou a análise da inteligência, afirmando que ela está "completamente equivocada". Reações em cadeia O conflito, que durou 12 dias, começou com uma ofensiva surpresa de Israel em 13 de junho, que visou instalações nucleares iranianas e matou figuras importantes do alto escalão militar do país persa. Em resposta, o Irã lançou uma série de ataques com mísseis contra cidades israelenses, gerando temores de uma escalada regional. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que seu país eliminou duas ameaças existenciais: a destruição nuclear e a ofensiva de 20 mil mísseis balísticos. Por outro lado, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, classificou o fim da guerra como uma "grande vitória" e expressou disposição para diálogo com os Estados Unidos, segundo a agência IRNA. Cessar-fogo e tensões persistentes O cessar-fogo mediado por Trump foi anunciado na manhã de terça-feira, mas sua manutenção se mostrou frágil. Ambos os lados se acusaram mutuamente de violar o acordo. Trump, visivelmente irritado, criticou especialmente Israel, pedindo que o país “se acalme agora”. Mesmo com a trégua em vigor, houve relatos de ataques adicionais e divergência quanto ao momento exato do cumprimento do acordo. A tensão permanece alta, embora o espaço aéreo de ambos os países tenha sido reaberto e as restrições internas suspensas. Impactos econômicos O cessar-fogo teve reflexo imediato nos mercados: os preços do petróleo caíram acentuadamente e bolsas de valores ao redor do mundo reagiram com alta, aliviadas com a possível estabilização na região do Golfo, vital para o fornecimento global de energia. Perspectivas O chefe das Forças Armadas de Israel, Eyal Zamir, indicou que a operação contra o Irã ainda não está encerrada e que agora o foco volta-se para a Faixa de Gaza, onde o Hamas, aliado de Teerã, mantém presença ativa. Já o comando iraniano alertou os Estados Unidos e Israel a refletirem sobre os “golpes esmagadores” que sofreram. Moradores de ambos os países expressaram alívio com o fim temporário das hostilidades, embora muitos tenham sofrido perdas irreparáveis. A paz, por ora, parece provisória, e o futuro do programa nuclear iraniano permanece um ponto crítico na geopolítica do Oriente Médio.


Fonte: Reuters – Reportagem de Gram Slattery, Alexander Cornwell e Parisa Hafezi, Data: 24 de junho de 2025