Por que o Irã Não Pode Ter Armas Nucleares: Entenda os Riscos e Implicações Globais







O debate sobre a capacidade nuclear do Irã voltou a ganhar força nos últimos anos, impulsionado por impasses diplomáticos, avanço técnico no enriquecimento de urânio e um cenário internacional cada vez mais polarizado. Embora o Irã insista que seu programa nuclear tem fins exclusivamente pacíficos, o temor de que o país busque desenvolver armas nucleares permanece como uma das maiores preocupações da comunidade internacional. A proibição não é apenas uma questão política, mas envolve tratados internacionais, equilíbrio regional de poder e a estabilidade do sistema de segurança global. O Irã é signatário do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP), um acordo internacional estabelecido em 1968 que visa impedir a disseminação de armamentos atômicos e promover o uso pacífico da energia nuclear. Como parte do tratado, Teerã se comprometeu a não desenvolver ou adquirir armas nucleares, submetendo-se à fiscalização da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Em troca, tem o direito de manter um programa nuclear civil, com fins médicos, energéticos e científicos. No entanto, diversos episódios ao longo das últimas décadas colocaram em xeque o compromisso do país com essas diretrizes. Inspeções da AIEA revelaram, em diferentes momentos, a existência de instalações nucleares não declaradas e atividades suspeitas, como o enriquecimento de urânio em níveis mais altos do que os necessários para fins civis. O enriquecimento de urânio é uma etapa-chave para a fabricação de uma arma nuclear, e o domínio dessa tecnologia é visto por muitos especialistas como um possível caminho para o Irã alcançar essa capacidade em curto prazo, caso opte por fazê-lo. As implicações de um Irã nuclear são profundas. Em termos geopolíticos, especialistas alertam que isso poderia desencadear uma corrida armamentista no Oriente Médio, incentivando outras potências regionais, como Arábia Saudita, Egito e Turquia, a buscar programas similares. O risco de proliferação seria enorme, em uma das regiões mais instáveis do planeta. Além disso, o governo iraniano é acusado de apoiar uma série de grupos armados em países vizinhos, incluindo o Hezbollah no Líbano e os rebeldes houthis no Iêmen, o que levanta o temor de que uma eventual dissuasão nuclear fortaleça a influência iraniana de maneira agressiva. Israel, que vê um Irã nuclear como uma ameaça direta à sua existência, já indicou repetidamente que pode agir militarmente para impedir que Teerã alcance esse objetivo. Um confronto desse tipo poderia desencadear uma guerra regional de larga escala, com consequências imprevisíveis para a segurança global e para o abastecimento de petróleo, já que boa parte do tráfego energético mundial passa pelo Golfo Pérsico. Tentativas diplomáticas foram feitas para controlar o avanço nuclear iraniano. O Acordo Nuclear de 2015 (JCPOA), assinado entre o Irã e as principais potências mundiais, estabelecia limites rigorosos para o programa nuclear iraniano em troca do alívio de sanções econômicas. No entanto, a saída dos Estados Unidos do acordo em 2018, sob o governo de Donald Trump, levou ao colapso do entendimento e à retomada de atividades nucleares por parte do Irã. Desde então, as negociações têm enfrentado entraves constantes, com sinais contraditórios vindos de Teerã e das potências ocidentais. Por trás da resistência à posse de armas nucleares por parte do Irã está também a preocupação com a credibilidade do regime internacional de não-proliferação. Caso Teerã consiga romper as barreiras políticas e técnicas para alcançar a bomba, outras nações poderiam seguir o mesmo caminho, alegando ameaça à segurança nacional ou direito à autodeterminação. Isso poderia desestabilizar décadas de esforços multilaterais voltados à contenção da proliferação nuclear. Em meio a esse cenário tenso, especialistas apontam que apenas a diplomacia firme, transparente e sustentada poderá evitar um desfecho mais grave. A questão iraniana, mais do que um impasse regional, é hoje um teste de fogo para a ordem internacional baseada em regras — e para a capacidade do mundo de lidar coletivamente com os riscos de uma nova era nuclear.


Fonte: Geopolitica Anatomy, 22/06/2025.