China nega intenção de instalar bases militares no Pacífico e diz que foco é infraestrutura







Conflitos e Guerras | Publicado em 03/07/2025

A China rejeitou nesta quinta-feira (3) as alegações de que pretende estabelecer uma base militar nas ilhas do Pacífico. A declaração foi feita pela embaixada chinesa em Fiji, após o primeiro-ministro do país, Sitiveni Rabuka, afirmar que a região está sob pressão para lidar com a crescente influência de Pequim. Em nota oficial, o porta-voz da embaixada chinesa classificou as suspeitas como “narrativas falsas” e reforçou que a atuação da China no Pacífico se concentra em obras de infraestrutura voltadas ao bem-estar social. “Estamos construindo estradas e pontes, não estacionando tropas ou criando bases militares”, declarou. Apesar disso, Rabuka afirmou em entrevista no National Press Club, em Canberra, que Fiji mantém relações de cooperação com a China, mas se posiciona contra qualquer instalação militar chinesa na região. Segundo ele, “a China não precisa de uma base para demonstrar seu poder”, citando o teste de um míssil balístico intercontinental que sobrevoou Fiji em setembro e atingiu uma área do Pacífico a 11 mil quilômetros de distância do território chinês. As tensões envolvendo a presença chinesa na região não são recentes. Em 2018, Pequim tentou reconstruir instalações militares em Papua-Nova Guiné e Fiji, mas foi superada pela Austrália. A preocupação internacional voltou à tona em 2022, quando a China firmou um acordo de segurança com as Ilhas Salomão, provocando alertas dos Estados Unidos sobre uma possível presença militar permanente. Em novembro passado, o então vice-secretário de Estado americano, Kurt Campbell, reforçou a importância de Washington manter atenção sobre o Pacífico, apontando que a China demonstrava interesse estratégico em bases na região. Ainda assim, a embaixada chinesa reafirmou que Pequim respeita a soberania dos países do Pacífico e que não busca protagonismo militar ou qualquer “esfera de influência”. A China também tem colaborado com a segurança pública local, estabelecendo presença policial em nações como Ilhas Salomão, Kiribati e Vanuatu.

Fonte: Reuters | Data: 3 de julho de 2025